
Eleger Lula e vencer o autoritarismo anti-LGBTQIA+
O ódio à população LGBTQIA+ é uma das poucas unanimidades entre autocratas e ditadores na atualidade. E a explicação é relativamente simples: nossas vidas e nossos direitos são expressões de tudo o que eles abominam, como o reconhecimento da dignidade humana, a separação entre Estado e Igreja, a liberdade de organização política e a luta por justiça social.
No Brasil, o cenário não é diferente.
Há tempos, o clã Bolsonaro instrumentaliza o pânico moral contra nós para mobilizar sua base eleitoral e consolidar seu projeto autoritário de poder. Os dados da plataforma Observatória evidenciam a estreita conexão entre o ativismo anti-LGBTQIA+ e o bolsonarismo.
Desde 2019, parlamentares do Partido Liberal (PL) – legenda do atual candidato a presidente Flávio Bolsonaro – apresentaram 285 projetos de lei anti-LGBTQIA+ nas assembleias estaduais e no Congresso Nacional. É mais do que o triplo do número de proposições apresentadas pelo Republicanos, que ocupa o segundo lugar neste infeliz ranking.
Quando conseguiu assumir a chefia do Poder Executivo, o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) mostrou o que significam quatro anos sob esse tipo de regime: desmontou políticas específicas, atentou contra as instituições democráticas, atacou jornalistas e organizações da sociedade civil e enviou centenas de milhares de pessoas para a morte durante a pandemia de Covid-19.
Nas eleições de 2022, a catástrofe política foi evitada por pouco, mas a crise social e econômica que nos trouxe à beira do precipício não foi resolvida. Não é por acaso que, quatro anos depois, nos vemos novamente assombrados pelo mesmo espectro autoritário e anti-LGBTQIA+, agora encarnado na candidatura de Flávio.
É fato que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve muito aquém dos desafios do nosso tempo e, verdade seja dita, ainda há muito a avançar na promoção de políticas nacionais para a população LGBTQIA+. Voltamos a existir na estrutura do governo federal, com uma secretaria específica comandada por Symmy Larrat, e recuperamos espaços de participação social, como a Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+.
A despeito disso, seguimos sem uma política capaz de alcançar de fato a população LGBTQIA+ em todo o país. O orçamento destinado pelo Planalto à pauta é pequeno, depende de emendas parlamentares e não permite dar escala nacional às iniciativas existentes. Na saúde, por exemplo, a população trans ainda espera a efetivação de medidas que respondam a reivindicações feitas há anos.
A independência editorial da Agência Diadorim não está em questão, nem aceitaremos que qualquer candidato ou mandatário diminua nossas reivindicações ou nos apague de seus planos de governo. Apoiar Lula nesta eleição tampouco significa abrir mão da crítica, da cobrança ou da vigilância sobre seu eventual próximo governo — compromissos inegociáveis do nosso jornalismo. Pelo contrário: é justamente a democracia que nos permite cobrar de quem governa, apontar suas insuficiências e exigir mais.
Entretanto, não vamos silenciar diante de quem nos quer ver mortos ou de volta ao armário, nem deixar de tomar uma posição num momento decisivo como este: nas eleições de 2026, a Diadorim está com Lula.
Eleger Lula é vencer o autoritarismo anti-LGBTQIA+.
Redação
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