Palácio do Planalto. Foto: José Cruz/Agência Brasil
Palácio do Planalto. Foto: José Cruz/Agência Brasil
eleições 2026

Seis de dez candiatos à Presidência não citam população LGBTQIA+ nos planos de governo

Seis dos dez candidatos à Presidência analisados pela Diadorim não apresentam propostas ou referências diretas à população LGBTQIA+ em seus planos de governo.

Candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera as pesquisas de primeiro turno, apresenta propostas transversais para a população LGBTQIA+, com diretrizes de combate à discriminação e à violência e inclusão de identidade e orientação sexual no planejamento de políticas públicas.

Já o plano de Flávio Bolsonaro (PL), segundo colocado nas pesquisas, não faz menção direta à população LGBTQIA+.

Hertz Dias (PSTU) e Samara Martins (UP) apresentam propostas específicas, enquanto Edmilson Costa (PCB) aponta diretrizes mais gerais.

Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Pablo Marçal (PRTB), Renan Santos (Missão) e Rui Costa Pimenta (PCO), assim como Flávio Bolsonaro, não apresentam propostas ou referências diretas à população LGBTQIA+.

A Diadorim analisou os programas registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), buscando termos relacionados à população LGBTQIA+ e avaliando as ocorrências no contexto.

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Lula aposta em políticas transversais

O plano de Lula prevê “planejar e construir políticas e ações levando em conta as dimensões de gênero, identidade, orientação sexual” e aborda o combate à violência e à discriminação no acesso ao trabalho.

A formulação acompanha uma mudança identificada pela Diadorim na comparação entre os programas do petista de 2022 e 2026. Reportagem publicada pela agência em agosto mostrou que compromissos específicos com saúde integral, inclusão e permanência na educação e reconhecimento das identidades de gênero deixaram de aparecer dessa forma no programa de reeleição. Em contrapartida, identidade e orientação sexual passaram a ser consideradas no planejamento de diferentes políticas públicas.

O programa de 2026 também dá maior destaque à prevenção da violência digital e aos crimes de ódio. Na segurança pública, prevê priorizar prevenção, inteligência, investigação e repressão qualificada à violência contra pessoas LGBTQIA+, além de crimes cibernéticos e crimes de ódio.

A mudança não permite concluir que políticas de saúde, educação ou reconhecimento das identidades de gênero tenham sido abandonadas, mas apenas que compromissos antes específicos deixaram de aparecer nesses termos no novo programa.

Hertz Dias propõe cotas trans e banheiros multigênero

O programa de Hertz Dias defende o “direito ao nome social, sem burocracia e sem taxas” e a criação de “casas-abrigo e proteção para vítimas de violência”. Também propõe “cotas trans nas universidades e concursos públicos” e “banheiros multigênero em órgãos públicos”.

Samara Martins reúne suas propostas em um capítulo chamado “Combate à LGBTfobia”. Entre elas estão a “criação de casas e centros de acolhimento para jovens LGBTIA+ expulsos de casa” e o “enfrentamento institucional à LGBTfobia, com acompanhamento regular dos dados sobre a violência”.

Edmilson Costa cita saúde, emprego, moradia e educação

O programa de Edmilson Costa afirma que será prioridade “acabar com baixíssima expectativa de vida da população Trans e Travesti, através de políticas de garantia de emprego, acesso a saúde pública, moradia e educação”, mas não detalha como as medidas seriam executadas.

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