Parada LGBT+ de São Paulo. Foto: André Nery/Diadorim
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Eleições 2026: o que os candidatos propõem para a população LGBTQIA+

Parada LGBT+ de São Paulo. Foto: André Nery/Diadorim

Em outubro, vamos escolher quem vai governar o Brasil e os 26 estados e o Distrito Federal pelos próximos quatro anos. Essa escolha decide muito mais do que economia e segurança pública: decide também se a população LGBTQIA+ vai ter direito a existir com dignidade, segurança e representação nas políticas públicas do país.

E é nos planos de governo — documento oficial em que cada candidatura apresenta ao país suas propostas — que dá para ver quem está disposto a enfrentar a LGBTfobia e quem prefere fingir que o tema não existe.

Foi por isso que a Agência Diadorim foi atrás de todos os planos de governo apresentados ao TSE por quem disputa a Presidência e os governos estaduais. Analisamos cada documento em busca de propostas — ou da ausência delas — sobre orientação sexual, identidade de gênero e enfrentamento à violência contra pessoas LGBTQIA+.

O resultado expõe um Brasil dividido: de um lado, candidaturas que trazem propostas concretas de políticas públicas; de outro, um silêncio que também é uma forma de posicionamento. Veja abaixo o retrato completo.

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Como apuramos

Baixamos, no site do TSE, os planos de governo de todas as candidaturas à Presidência e aos governos estaduais e do Distrito Federal. Em seguida, rastreamos nesses documentos termos ligados à população LGBTQIA+ como orientação sexual, identidade de gênero, homofobia, transfobia, pessoas trans, travestis, transexuais, pessoas não binárias, intersexo e nome social, entre outros.

Também buscamos palavras mais amplas — gênero, sexualidade, diversidade, discriminação — mas só as consideramos quando o trecho tratava diretamente da população LGBT.

Cada citação foi lida no contexto do plano. A classificação não levou em conta quantas vezes o tema aparecia, mas o que o texto de fato propunha: se era uma menção de passagem, uma promessa genérica ou uma medida concreta.

Duas ressalvas: dez candidaturas não tinham plano de governo disponível no site do TSE, e quatro documentos, por terem sido digitalizados, passaram por reconhecimento de texto — processo que pode gerar pequenas falhas de leitura.

Direitos LGBTQIA+
nos planos de governo

O que candidatos à Presidência e aos governos dos 26 estados e do Distrito Federal prometem — ou deixam de prometer — à população LGBTQIA+.

o que encontramos

Metade dos planos não menciona a população LGBTQIA+

Dos 195 planos analisados, 99 não fazem nenhuma menção relevante à população LGBTQIA+. Outros 79 apresentam ao menos uma proposta específica, 15 trazem promessas genéricas e dois apenas citam o tema.

Os planos foram divididos em quatro categorias: não menciona, apenas menciona, proposta genérica e proposta específica. A classificação leva em conta o que cada plano propõe, e não o número de vezes que o tema aparece. Não foram encontradas propostas contrárias a direitos.

9951% não mencionam 7941% têm proposta específica 158% têm proposta genérica 21% apenas mencionam

Na disputa presidencial, quatro dos 12 candidatos apresentam proposta específica; oito não fazem menção relevante.

Fora da conta: dez candidaturas não tinham plano disponível no site do TSE.

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Maioria dos candidatos de Belo Horizonte, Recife e São Paulo ignora a população LGBTQIA+ em seus planos. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto:
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Partidos e regiões

A forma como a pauta LGBTQIA+ aparece nos planos muda bastante de um partido para outro. PSTU, PT, UP e PSOL formam o grupo em que as propostas específicas são mais frequentes. No PSTU, elas aparecem em 15 dos 16 documentos disponíveis. No PT, são dez de 13; na UP, 13 de 18; e no PSOL, sete de dez.

Na outra ponta, nenhum dos 19 planos do PCO faz menção relevante à população LGBTQIA+. O tema também não aparece nos nove documentos disponíveis do Missão, nos sete do Democrata e em sete dos oito planos do Novo — o oitavo traz apenas uma promessa genérica.

Entre os partidos maiores, PL e PSD apresentam um quadro parecido. Quatro dos 13 planos disponíveis do PL têm propostas específicas; no PSD, são cinco de 13. No MDB, apenas dois de nove documentos chegam a esse nível de detalhamento. O mesmo ocorre em dois dos oito planos do PSDB e em dois dos sete do Republicanos. No DC, só um dos sete documentos disponíveis apresenta uma medida específica.

Alguns partidos menores aparecem com proporções elevadas, mas as bases são reduzidas. PCB e PP têm propostas específicas em quatro de seus cinco planos. No PSB, são três de cinco; no PDT, dois de três. Por isso, esses resultados não podem ser comparados da mesma forma com partidos que lançaram candidatos em quase todo o país.

A distância diminui quando os planos são agrupados por região. O Nordeste tem a maior proporção de propostas específicas, presentes em 29 dos 66 documentos disponíveis. O resultado é próximo ao do Sudeste, com 12 de 28; do Sul, com nove de 22; e do Centro-Oeste, com 11 de 28. O Norte aparece um pouco abaixo, com 14 de 40.

Dentro das regiões, porém, os estados seguem caminhos diferentes. Bahia e Pernambuco estão entre aqueles em que as propostas específicas aparecem com mais frequência. Na Bahia, são quatro dos seis planos disponíveis; em Pernambuco, cinco de oito. Goiás tem três de cinco, e o Rio Grande do Sul, quatro de sete.

Em Roraima, Mato Grosso e Rondônia, apenas um de cada cinco documentos disponíveis apresenta uma medida específica. No Amazonas, são dois de sete. Essas diferenças precisam ser lidas com cuidado, porque cada estado tem um número diferente de candidaturas.

presidenciáveis

Dois terços dos presidenciáveis não mencionam a população LGBTQIA+

Dos 12 candidatos à Presidência, a maioria não faz nenhuma menção relevante ao tema em seus planos de governo.

866,7% não fazem nenhuma menção relevante à população LGBTQIA+ 433,3% trazem ao menos uma proposta específica para a população
governos estaduais

Quase metade dos planos estaduais não menciona a população LGBTQIA+

Dos 183 planos de governo estadual analisados, a maior parte não faz nenhuma menção relevante ao tema.

9149,7% não fazem nenhuma menção relevante à população LGBTQIA+ 7541% apresentam ao menos uma proposta específica 158,2% trazem propostas genéricas 21,1% apenas citam o tema

*Dos 183 planos analisados

Entre os candidatos à Presidência, os programas se dividem em dois grupos bem definidos. De um lado, oito não fazem nenhuma menção relevante à população LGBTQIA+: Clariana Barão (DC), Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD), Rui Costa Pimenta (PCO), Wilson Grassi (Democrata) e Zema (Novo). Do outro, Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Lula (PT) e Samara (UP) apresentam ao menos uma proposta específica para essa população.

O conteúdo dessas propostas varia. Edmilson Costa prevê políticas de emprego e acesso à saúde, moradia e educação para pessoas trans e travestis. Hertz Dias propõe casas de acolhimento para pessoas LGBTQIA+, atendimento de saúde para pessoas trans, saúde integral e sem discriminação, além de medidas de emprego, qualificação profissional e geração de renda. Lula inclui ações contra a violência dirigida à população LGBTQIA+ e o combate à discriminação no acesso ao trabalho. Samara propõe casas de acolhimento, atendimento de saúde para pessoas trans, prevenção da violência, enfrentamento à LGBTfobia e acesso à moradia.

Entre os presidenciáveis, portanto, não há casos intermediários: nenhum programa foi classificado como “proposta genérica” ou “apenas menciona”. Ou há ao menos uma medida concreta voltada à população LGBTQIA+, ou o tema não aparece de forma relevante.

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Nos governos estaduais e do Distrito Federal, o quadro é mais fragmentado. Das 193 candidaturas mapeadas, 183 tinham plano disponível no site do TSE na consulta realizada em 15 de agosto. Em praticamente metade desses documentos, não foi encontrada nenhuma menção relevante à população LGBTQIA+. Na outra metade, predominam os planos com propostas específicas, embora também apareçam propostas genéricas e casos em que o tema é apenas citado.

A ausência atravessa todo o país: há pelo menos uma candidatura sem menção relevante à população LGBTQIA+ em cada um dos 26 estados e no Distrito Federal. Em números absolutos, a maior concentração está no Nordeste, com 31 planos, seguido por Norte (22), Sudeste (15), Centro-Oeste (13) e Sul (10).

O Piauí é o estado com mais candidaturas nessa situação, seis. Amazonas, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Santa Catarina aparecem em seguida, com cinco cada. Ceará, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro e Roraima têm quatro. Nos demais estados, o número varia entre uma e três candidaturas.

Ao contrário da disputa presidencial, em que os programas se concentram nos dois extremos, nas eleições estaduais há uma gradação maior — de planos com políticas específicas a documentos que fazem referências vagas ou simplesmente silenciam sobre o tema.

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