
Diadorim debate direitos LGBTQIA+ em evento do Fundo Brasil
A Diadorim participou da Conferência de Direitos Humanos, organizada pelo Fundo Brasil, em debate sobre os obstáculos aos direitos LGBTQIA+ no Legislativo. Cofundador da agência, Mateus Araújo integrou a mesa “Da Corte ao Congresso: os obstáculos aos direitos LGBTQIA+ no Legislativo”, realizada no primeiro dia do evento.
Mediada pelo jornalista Caê Vatiero, a mesa também reuniu Rafaelly Wiest, do Grupo Dignidade, e Rildo Veras, do Movimento Leões do Norte. O debate discutiu as dificuldades enfrentadas pela população LGBTQIA+ na garantia e no avanço de direitos no Legislativo.
Durante sua participação, Araújo apresentou dados da Observatória, iniciativa criada em 2024 para monitorar projetos de lei relacionados aos direitos LGBTQIA+ no Congresso Nacional e nas assembleias legislativas.
O levantamento reúne propostas apresentadas desde 2019 e aponta uma mudança no cenário legislativo. Entre 2019 e 2025, os projetos favoráveis à população LGBTQIA+ foram mais numerosos do que os contrários. Em 2026, até maio, essa relação se inverteu.
Os temas das propostas contrárias à população LGBTQIA+ também mudaram. Depois de anos em que a linguagem neutra esteve no centro dessas iniciativas, as escolas passaram a figurar entre os principais alvos. No Senado, foram apresentadas seis propostas contrárias à população LGBTQIA+ em 2025, ante nenhuma no ano anterior.
O debate abordou ainda a diferença entre direitos conquistados no Judiciário e sua consolidação no Legislativo. Vatiero destacou que, apesar dos avanços obtidos pelo movimento LGBTQIA+, parte deles ocorreu por decisões judiciais, enquanto o Congresso permanece como espaço de disputa.
Dados, território e políticas públicas
O homem trans e ativista Yuri Cantizano abriu a conversa apresentando sua trajetória e seu trabalho na produção de dados sobre violência contra a população LGBTQIA+. Pesquisador da organização não governamental Conexão G, ele participa de levantamentos anuais sobre o tema.
Cantizano destacou que, em 2026, o dossiê elaborado pelo Observatório de Mortes e Violências LGBTI+ registrou 230 mortes de pessoas da comunidade no Brasil. “Esse número é o que existe notificado. Quantos são os nomes que a gente não conhece?”, questionou.
Rildo Veras, do Movimento Leões do Norte, abordou a realidade do interior de Pernambuco. Segundo ele, o reconhecimento da LGBTfobia como crime foi um avanço, mas leis e decisões judiciais não asseguram, por si só, sua aplicação.
O Movimento Leões do Norte criou o aplicativo Rugido, que permite registrar denúncias com localização, fotos e vídeos e acompanhar seus encaminhamentos.
“Dependendo do CEP da sua vida, você tem mais acesso, algum acesso ou nenhum acesso às políticas públicas da população LGBTQIA+”, afirmou Veras.
Representação e comunicação
Rafaelly Wiest, do Grupo Dignidade, defendeu a ampliação da presença de pessoas LGBTQIA+ nos espaços de poder. Segundo ela, ocupar o Legislativo é importante para a garantia de direitos porque presidentes, governadores e prefeitos dependem do Parlamento para aprovar políticas.
A comunicação também foi discutida como instrumento de atuação. A Diadorim disponibiliza reportagens para republicação e criou um monitor dos programas de governo de candidatos à Presidência e aos governos estaduais, que identifica propostas voltadas às minorias sexuais e de gênero.
Diante do cenário eleitoral, os participantes destacaram a organização e a mobilização da população LGBTQIA+. Entre as iniciativas citadas durante o debate está a “Voto com Orgulho”, da Aliança Nacional LGBTQIA+, que promove apoio e divulgação de candidaturas comprometidas com a pauta.
*Com informações do Fundo Brasil