Modelo brasileira Mar Magalhães, mulher trans que se tornou referência no mundo da moda, veste o Amsterdam Rainbow Dress
cultura

Artistas criam vestido com bandeiras de países para denunciar criminalização da população LGBTQIA+

Um vestido composto por bandeiras de países onde ser LGBTQIA+ ainda é considerado ilegal foi exibido pela primeira vez no Brasil na última semana. Chamada de Amsterdam Rainbow Dress, a peça ficou em exposição por dois dias no Museu da Diversidade Sexual, em São Paulo.

Com 16 metros de diâmetro, o vestido foi criado há dez anos pelos artistas Mattijs van Bergen, Arnout van Krimpen, Jochem Kaan e Oeri van Woezik, durante o EuroPride Amsterdam 2016, evento internacional europeu dedicado ao orgulho LGBTQIA+.

Em entrevista à Agência Diadorim, o artista Arnout van Krimpen explicou que, inicialmente, o vestido reunia 77 bandeiras de países onde relações homoafetivas ainda são criminalizadas — em alguns casos, com punições severas, incluindo a pena de morte. Hoje, são 66. 

O conceito da obra prevê transformação contínua: sempre que um país descriminaliza a homossexualidade, sua bandeira é substituída pela bandeira do arco-íris, símbolo do orgulho LGBTQIA+. Dessa forma, o vestido se mantém como um retrato atualizado das conquistas e dos desafios enfrentados pela comunidade ao redor do mundo.

“Todo ano, uma cidade europeia diferente sedia o evento. Em 2016, aconteceu em Amsterdã. No primeiro dia do EuroPride, houve uma grande parada, na qual foram usadas bandeiras de todos os países que criminalizam a comunidade LGBTQIA+. Quando o evento foi encerrado, me chamaram e disseram que tinham essas bandeiras e perguntaram se eu não queria usá-las de alguma forma. Foi quando eu e mais três amigos artistas decidimos criar o vestido. O topo dele é feito com a bandeira da cidade de Amsterdã”, explicou Arnout.

Em 2016, a ideia era mais local, com o objetivo de conscientizar a população da Holanda sobre o cenário global. “Sabíamos que muitas pessoas viajam para o nosso país em busca de liberdade, por serem criminalizadas onde nasceram. Queríamos, inicialmente, incentivar o acolhimento, especialmente de refugiados queer”, lembra Arnout, hoje diretor da Fundação Amsterdam Rainbow Dress, criada em 2017.

Mas o projeto ganhou dimensão internacional. Arnout contou que a proposta se ampliou e o grupo decidiu levar o vestido ao redor do mundo. “No início, era sobre Amsterdã. Agora, é sobre o mundo inteiro. Todos os países precisam estar abertos à comunidade e conscientes das dificuldades enfrentadas por pessoas que vivem nesses lugares”.

Em uma visita recente ao Brasil, durante a conferência da Workplace Pride em São Paulo, o secretário-geral adjunto do Ministério das Relações Exteriores dos Países Baixos, Hans Docter, afirmou que a obra é poderosa e visualmente impactante, capaz de provocar conversas significativas. “É por isso que apoiamos os organizadores e criadores do vestido a viajarem o mundo e promoverem esses diálogos”, disse.

Além da exposição, o projeto busca engajar comunidades locais, a imprensa e o público em momentos de conscientização e debate sobre direitos LGBTQIA+. A proposta é transformar a arte em ferramenta de diálogo e mobilização social.

Vestido já passou por 35 países

Em 2026, além do Brasil, a obra também será exibida nos Estados Unidos, em Nova York, na Tailândia, em Singapura e na Índia.

Arnout ressalta que o cenário global segue desafiador, marcado por uma atmosfera conservadora. “Por outro lado, o vestido mostra que, nos últimos 10 anos, 11 países adotaram leis mais inclusivas. Há avanços e histórias positivas a contar. Por isso, é importante estar consciente do que ainda precisa acontecer”, afirma.

Cada apresentação do Amsterdam Rainbow Dress é realizada em parceria entre a fundação e instituições anfitriãs locais. No Brasil, a ação contou com o apoio do Instituto Matizes e foi fotografada em cenários emblemáticos da cidade de São Paulo.

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