Plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo. Foto: Alesp
Plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo. Foto: Alesp
eleições 2026

Quem são os parlamentares que mais propuseram PLs pró-LGBTQIA+ em 2025

Monica Seixas do Movimento Pretas, Guilherme Cortez e Paula da Bancada Feminista, todos deputados estaduais pelo PSOL de São Paulo, dividiram a liderança do ranking de parlamentares que mais apresentaram projetos de lei pró-LGBTQIA+ em 2025. Cada um participou da autoria de oito propostas.

Logo atrás aparecem as deputadas federais Érika Hilton (PSOL-SP), com sete projetos, e Duda Salabert (PT-MG), com seis. Também com seis propostas estão as deputadas estaduais Dani Balbi (PCdoB-RJ) e Ediane Maria (PSOL-SP).

Os dados são da Observatória, monitor legislativo da Diadorim, que identificou 113 projetos favoráveis à população LGBTQIA+ apresentados no ano. A maior parte — 91 propostas, ou 80,5% do total — surgiu nas assembleias estaduais. Outros 22 projetos foram protocolados na Câmara dos Deputados. No Senado, não houve nenhuma proposta favorável no período.

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Os nomes que aparecem no topo do ranking também apontam uma forte concentração partidária e geográfica: dos sete parlamentares, cinco são do PSOL e cinco exercem mandato por São Paulo, na Assembleia Legislativa ou na Câmara.

Integrantes do PSOL participaram da autoria de 56 dos 113 projetos apresentados em 2025, o equivalente a 49,6% do total. O PT aparece em seguida, com participação em 27 propostas, seguido pelo PCdoB, com dez, e pelo PDT, com oito. Como um mesmo projeto pode ter autores de partidos diferentes, as participações partidárias não são excludentes.

O peso de São Paulo no ranking está diretamente relacionado ao protagonismo das assembleias estaduais, de onde saíram oito em cada dez projetos pró-LGBTQIA+ apresentados em 2025.

Sozinho, o estado respondeu por 31 propostas. Pernambuco e Rio de Janeiro aparecem em seguida, com nove cada. Juntos, os três concentraram 53,8% de todos os projetos apresentados nas assembleias estaduais.

Combate à discriminação lidera agenda

Entre os temas, o combate à discriminação foi o mais frequente, com 15 projetos. As propostas tratam de questões como violência política e discriminação em escolas, estádios, serviços públicos e no atendimento em delegacias.

As políticas voltadas à população idosa LGBTQIA+ aparecem logo depois, com 12 projetos — um sinal de que o tema ganhou espaço entre parlamentares e casas legislativas de diferentes estados.

Também se destacaram as medidas simbólicas, com 11 propostas, seguidas por saúde, com dez, e nome social, com nove. Outras cinco iniciativas abordaram as chamadas terapias de conversão.

Já temas de impacto material direto tiveram menos espaço. Habitação, políticas de acolhimento e registro civil foram objeto de três projetos cada. Somente uma proposta tratou de pessoas privadas de liberdade.

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Apesar das tendências gerais, os parlamentares que lideram o ranking distribuíram suas propostas por diferentes frentes. Os projetos se espalharam por temas como saúde, empregabilidade, cultura, produção de dados, população idosa e combate à discriminação.

As propostas de Monica Seixas, por exemplo, vão da reserva de vagas para pessoas trans e travestis em concursos públicos e programas habitacionais à criação de um banco estadual de dados sobre a violência contra a população LGBTQIA+. Guilherme Cortez apresentou iniciativas contra a LGBTfobia nos estádios e participou da criação de um programa estadual de atenção à saúde de pessoas trans, travestis, transmasculinas e não binárias.

Paula da Bancada Feminista propôs incentivar a contratação de pessoas trans, distribuir binders em hospitais estaduais e criar um auxílio financeiro para pessoas idosas LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade. Dani Balbi, por sua vez, apresentou projetos que garantem o uso póstumo do nome social e criam uma política de abrigamento para pessoas trans e travestis.

Na Câmara dos Deputados, Érika Hilton buscou reconhecer a cultura ballroom como patrimônio cultural imaterial do Brasil, declarar o pajubá uma manifestação da cultura brasileira e criar uma política nacional de saúde mental para pessoas trans e travestis. Entre as propostas de Duda Salabert estão a instituição do Estatuto da Pessoa Intersexo e medidas contra a discriminação no mercado de trabalho.

Ediane Maria apresentou iniciativas voltadas à criação de uma casa de acolhimento para pessoas idosas LGBTQIA+ e à capacitação de profissionais da saúde para atender mulheres que fazem sexo com mulheres.

* Esta reportagem foi produzida com apoio do Fundo dos Direitos Humanos da Embaixada do Reino dos Países Baixos.

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