
Relatora da ONU reforça ‘cruzada antitrans’ em agendas no Brasil
Em visita ao Brasil neste mês de março, a relatora especial da ONU sobre violência contra mulheres e meninas, Reem Alsalem, usou agendas públicas no país para reforçar críticas a políticas de reconhecimento de identidade de gênero e inclusão de pessoas trans.
No dia 5, ela participou de uma reunião da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado, presidida pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), ex-ministra do governo Jair Bolsonaro (PL). O encontro discutiu prevenção de violência contra mulheres e meninas.
Antes disso, em São Paulo, Alsalem participou de um encontro organizado pela Matria — Mulheres Associadas, Mães e Trabalhadoras do Brasil, grupo feminista conhecido por posições antitrans. Segundo a organização, o evento reuniu a relatora e representantes da sociedade civil para discutir violências contra mulheres e crianças.
Durante a visita ao país, Reem Alsalem também concedeu entrevista ao site Poder360, na qual voltou a questionar políticas de autodeterminação de gênero.
Em sua atuação nos últimos anos, a relatora tem defendido posições semelhantes em documentos e declarações públicas. Entre 2022 e 2023, durante o debate sobre a reforma da Gender Recognition Act na Escócia, afirmou que o reconhecimento legal de gênero “não implica um direito à autoidentificação de gênero sem regulação”.
Em 2024, em um documento sobre a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW), escreveu que a discriminação por sexo deve ser entendida como uma “categoria biológica”.
Ela também criticou decisões judiciais e políticas de inclusão de pessoas trans em espaços femininos, como no caso australiano Roxanne Tickle v. Giggle e em debates sobre participação no esporte feminino.
No relatório “Violência baseada no sexo contra mulheres e meninas: novas fronteiras e questões emergentes”, publicado em junho de 2025, Reem Alsalem recomenda que os termos “mulheres” e “meninas” sejam usados apenas para “fêmeas biológicas” e defende restrições à transição legal e social de crianças com disforia de gênero.