Foto: Agência Brasil
eleições 2026

Registros de eleitores trans quase dobram no TSE entre 2024 e 2026

Os registros de eleitores transgênero no Brasil passaram de 47.222 para 89.341 entre 2024 e 2026, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Considerando apenas os 26 estados presentes nas duas bases, o cadastro cresceu 89,2% e registrou aumento em todas as unidades analisadas.

O crescimento, porém, ocorreu ao mesmo tempo em que o TSE ampliou o preenchimento da identidade de gênero no cadastro eleitoral. Por isso, os dados mostram um aumento dos registros de pessoas trans no sistema da Justiça Eleitoral, mas não permitem concluir que a população trans brasileira tenha praticamente dobrado.

Ao todo, foram 42.119 novos registros de eleitores trans. Também aumentaram os cadastros de pessoas com biometria, nome social e deficiência, além da proporção de eleitores com voto obrigatório.

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São Paulo concentra quase um quarto dos registros

São Paulo registrou o maior crescimento absoluto, com 11.181 novos cadastros, passando de 10.991 para 22.172 eleitores trans. Proporcionalmente, o maior avanço ocorreu no Amapá, onde os registros cresceram 257%, de 305 para 1.089.

Na base completa de 2026, que inclui o Distrito Federal e o eleitorado no exterior, o TSE contabiliza 92.760 eleitores trans. São Paulo concentra 22.172 registros, o equivalente a 23,9% do total nacional. Minas Gerais (8.157) e Rio de Janeiro (7.465) aparecem na sequência.

A cobertura biométrica desse grupo também aumentou, passando de 82% para 93,7% entre as duas bases. Também cresceram os registros de pessoas com nome social e de pessoas com deficiência.

Ampliação do cadastro ajuda a explicar crescimento

A principal mudança entre os dados de 2024 e de 2026 foi o aumento do preenchimento da identidade de gênero no cadastro eleitoral. Nos 26 estados comparáveis, a parcela do eleitorado com alguma informação nesse campo — incluindo cisgênero, transgênero e “prefere não informar” — passou de 10,2% para 20,6%.

Em números absolutos, isso representa um salto de cerca de 15,9 milhões para 32 milhões de eleitores com identidade de gênero informada. No mesmo período, os registros sem essa informação caíram de 140 milhões para 123,6 milhões.

Entre os eleitores que informaram a identidade de gênero, a participação das pessoas registradas como transgênero permaneceu praticamente estável, passando de 0,297% para 0,279%.

Isso indica que parte importante do crescimento observado está ligada à atualização do cadastro eleitoral.

A comparação considera apenas os estados presentes nas duas bases do TSE. Os dados para 2024 não incluem o Distrito Federal nem o eleitorado no exterior, que aparecem apenas na base de 2026.

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