
Parlamentares e lideranças políticas LGBTQIA+ se movimentam por vagas no Congresso
As eleições de outubro já movimentam pré-candidaturas LGBTQIA+ ao Congresso Nacional. Além da tentativa de reeleição das deputadas federais Erika Hilton (PSOL-SP), Duda Salabert (PDT-MG), Dandara (PT-MG) e Daiana Santos (PCdoB-RS), e do senador Fabiano Contarato (PT-ES), parlamentares, ex-parlamentares e lideranças políticas LGBTQIA+ articulam projetos para disputar vagas na Câmara dos Deputados e no Senado.
Levantamento da Agência Diadorim, com base em dados da ONG VoteLGBT, identificou pré-candidaturas LGBTQIA+ em diferentes partidos e estados do país. A reportagem destaca parlamentares, ex-parlamentares e lideranças políticas com trajetória eleitoral consolidada. Os nomes ainda dependem de confirmação nas convenções partidárias, previstas entre 20 de julho e 5 de agosto.
Entre os nomes que se movimentam para a disputa está o ex-deputado federal Jean Wyllys (PT-SP). Jornalista e professor universitário, ele exerceu três mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados e se tornou uma das principais vozes da defesa dos direitos humanos e da população LGBTQIA+ no país. Sua possível volta ao Congresso recoloca na disputa um dos parlamentares mais conhecidos da história do movimento LGBTQIA+ brasileiro.
Ao lado de Jean, parlamentares estaduais e vereadores também tentam chegar a Brasília. Entre eles está a deputada Bella Gonçalves (PSOL-MG), presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Em 2024, ela foi candidata a vice-prefeita de Belo Horizonte na chapa encabeçada pelo deputado federal Rogério Correia (PT). Após a derrota no primeiro turno, apoiou a candidatura de Fuad Noman (PSD).
Também aparecem entre as pré-candidaturas a deputada estadual Linda Brasil (PSOL-SE), primeira mulher trans eleita para a Assembleia Legislativa de Sergipe, e o deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL-SP), presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da População LGBTI+ da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Levantamento da Diadorim apontou Cortez como o deputado estadual que mais apresentou projetos de lei voltados à diversidade sexual e de gênero, incluindo propostas sobre direitos da população trans e combate à discriminação. Ele também propôs uma CPI na Alesp para investigar crimes de ódio contra a população LGBTQIA+ em aplicativos de relacionamento.
No Distrito Federal, o deputado distrital Fábio Felix (PSOL-DF) também articula uma candidatura à Câmara dos Deputados. Assistente social e ativista LGBTQIA+, ele foi o primeiro parlamentar assumidamente gay eleito para a Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Em Pernambuco, a deputada estadual Rosa Amorim (PT-PE) também entrou no tabuleiro eleitoral. Jovem, negra e lésbica, ela teve sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados lançada com apoio do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Nascida em um assentamento rural de Caruaru, Rosa representa uma geração de lideranças oriundas dos movimentos sociais que passou a ocupar espaços institucionais de poder.
No campo das lideranças municipais, a vereadora Tainá de Paula (PT-RJ) aparece entre os nomes cotados para a disputa. Arquiteta e urbanista, ela foi reeleita para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro com 50 mil votos e ocupou a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima entre 2023 e 2026. Outra pré-candidata é a vereadora Benny Briolly (PT-RJ), primeira mulher trans eleita para a Câmara Municipal de Niterói.
O Rio também tem pré-candidata ao Senado: a vereadora Monica Benicio (PSOL-RJ), urbanista, defensora dos direitos humanos e viúva da ex-vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018.
No Rio Grande do Norte, Thabatta Pimenta (PV-RN) disputa uma vaga na Câmara. Nas eleições de 2022, ela recebeu 40,5 mil votos para deputada federal e foi a candidata mais votada do PSB no estado. Apesar da votação, não conquistou uma vaga porque a legenda somou apenas 5,38% dos votos válidos, percentual insuficiente para alcançar uma das oito cadeiras potiguares.
A movimentação se espalha por diferentes regiões do país. O levantamento também identificou pré-candidaturas de Adriana Gerônimo (PSOL-CE), presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Fortaleza; Vivi Reis (PSOL-PA), ex-deputada federal e atual vereadora de Belém; Atena (PSOL-RS), vereadora de Porto Alegre; Giovana Mondardo (PCdoB-SC), vereadora em Criciúma e suplente de deputada federal; Carla Ayres (PT-SC), vereadora de Florianópolis e primeira parlamentar LGBTQIA+ de Santa Catarina a ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados; Mirê Chagas (PSOL-SC), ex-covereadora em Florianópolis; Manuella Tyler (PSB-BA), suplente de vereadora em Juazeiro; e Felipe Pinheiro (Rede-SP), candidato a vice-prefeito de Jundiaí em 2024.
Crescimento da representação
A disputa de outubro ocorre após um avanço histórico da representação LGBTQIA+ nas eleições de 2022. Naquele ano, o Brasil elegeu ao menos 18 parlamentares LGBTQIA+, segundo levantamento realizado pela Agência Diadorim e pela VoteLGBT.
O pleito também marcou a chegada das primeiras mulheres trans à Câmara dos Deputados. Duda Salabert foi eleita por Minas Gerais com mais de 200 mil votos, enquanto Erika Hilton recebeu mais de 250 mil votos em São Paulo. As duas passaram a integrar uma bancada que hoje conta ainda com as deputadas federais Dandara e Daiana Santos, além do senador Fabiano Contarato.
A atual movimentação eleitoral reúne parlamentares, ex-parlamentares e lideranças políticas que tentam ampliar a presença LGBTQIA+ no Congresso Nacional. O resultado das urnas mostrará se esse crescimento observado nos últimos anos conseguirá se traduzir em mais cadeiras na próxima legislatura.