Amanda Paschoal (PSOL-SP), vereadora trans mais votada do Brasil, e Thammy Miranda (PSD-SP), único homem trans eleito. Fotos: Divulgação
Amanda Paschoal (PSOL-SP), vereadora trans mais votada do Brasil, e Thammy Miranda (PSD-SP), único homem trans eleito. Fotos: Divulgação
eleições 2024

27 vereadoras e um vereador trans se elegeram em 2024; maioria no interior

Pelo menos 28 pessoas trans foram eleitas para câmaras municipais nas eleições de 2024, sendo 6 em capitais e 22 no interior, conforme aponta um levantamento realizado pela Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) em parceria com a ONG VoteLGBT. A ampla maioria é composta por mulheres trans e travestis de partidos de esquerda e centro-esquerda.

O resultado aponta uma leve queda em relação a 2020, quando foram contabilizados 30 mandatos, aponta a Antra. A queda de eleitos, apesar do crescimento de candidaturas trans – 624 em 2024, contra 294 em 2020 – reflete as dificuldades ainda enfrentadas para consolidar a representatividade trans nos espaços políticos, de acordo com a associação.

Em comunicado, a Antra chamou a atenção para a ausência de dados sobre pessoas não binárias e intersexo no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e destacou que muitas pessoas fizeram a autodeclaração de transgeneridade de maneira equivocada na plataforma, o que exigiu da associação um trabalho minucioso de checagem.

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Mulheres trans e travestis na liderança

Amanda Paschoal (PSOL-SP) conquistou 108.645 votos em São Paulo, a maior cidade da América Latina, tornando-se a vereadora de esquerda mais votada do Brasil em 2024. Durante toda a campanha, Paschoal contou com o apoio fundamental da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), de quem foi assessora parlamentar.

A lista de candidaturas vitoriosas inclui outros nomes já conhecidos, como Filipa Brunelli, em Araraquara (PSOL-SP), e Benny Briolly, em Niterói (PSOL-RJ), ambas amplamente reconhecidas pelo trabalho em prol da inclusão e dos direitos humanos.

Do total de 28 pessoas trans eleitas em 2024, 10 foram reeleitas, mantendo sua atuação política após o primeiro mandato, enquanto 18 conquistaram o cargo pela primeira vez.

Além disso, 19 são de partidos de esquerda e centro-esquerda, e nove estão em legendas de direita ou centro-direita, sendo Thammy Miranda (PSD-SP) o único homem trans eleito neste ano.

“Essa conquista honra o legado de Kátia Tapety e reflete a força, a coragem e a determinação de nossa comunidade na luta por justiça e igualdade”, diz a Antra, mencionando a primeira transexual eleita para um cargo político no Brasil.

Combate à transfobia

A luta por representatividade e reconhecimento da população trans nos municípios brasileiros foi marcada pelo combate ao preconceito. Muitas candidatas relataram ter sofrido ataques transfóbicos e tiveram que resistir a tentativas de deslegitimação. 

“O preconceito e a transfobia ainda são realidades que nós, pessoas trans, enfrentamos diariamente, e isso se intensifica em momentos de disputa política”, afirma a vereadora Filipa Brunelli (PT-SP), reeleita em Araraquara. “Durante a campanha, sofri ataques transfóbicos, tentativas de deslegitimação e até ameaças. Mas essas agressões não me pararam; pelo contrário, só fortaleceram minha luta.”

Brunelli conquistou 1.747 votos levantando pautas como a segurança alimentar, o direito à moradia e a ampliação de programas de saúde mental e igualdade racial. “O saldo é extremamente positivo. Ser reeleita é um indicativo claro de que a população reconhece o trabalho que fizemos e acredita no nosso projeto para os próximos quatro anos”, pontua. Segundo ela, o próximo mandato será uma oportunidade de aprofundar políticas inclusivas e enfrentar desafios como o fundamentalismo religioso e o conservadorismo que tentam barrar o avanço de direitos em Araraquara. 

No Maranhão, Mônica de Assis (Solidariedade-MA), eleita vereadora em Turiaçu, também enfrentou ataques, mas contou com o apoio da população, sobretudo as pessoas mais pobres. “O que me ajudou muito a me eleger foi a classe menos favorecida. No Maranhão há muita pobreza, então eu me comprometi a ajudar esse povo, levando comida, cesta básica. Foi esse povo, o povo pobre, que me ajudou”, conta.

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